A disparada da ação da Copasa, impulsionada pelas expectativas de privatização, já até afastou alguns potenciais interessados na estatal mineira de saneamento.
Mas esse não é o caso da Aegea.
A companhia – que tem como acionistas a Equipav, o GIC e a Itaúsa – está estudando a desestatização e vai aprofundar a análise assim que divulgados todos os detalhes da modelagem, além de avaliar outros leilões previstos no setor.
Pelo que se sabe até o momento, o Governo Romeu Zema buscará um investidor de referência para adquirir ao menos 30% da Copasa – mas não é descartada a venda de 100% do capital de forma dispersa se não aparecer um investidor âncora.
À espera do leilão, previsto para acontecer ainda no primeiro semestre, a ação da Copasa já sobe 140% em 12 meses, e a empresa agora tem um valor de mercado perto de R$ 20 bilhões.
Para alguns analistas e executivos do setor de infraestrutura, o valuation “inflacionado” aumenta as chances de a companhia não atrair um investidor estratégico e ter o controle pulverizado no mercado.
Mas nem todo mundo concorda.
“Pensando em 30% da empresa, em uma conta grosseira, estaríamos falando de R$ 6 bilhões. E você vai financiar 60%-70% disso. Em equity, é de 30% a 40%. Não é nenhuma coisa desproporcional,” Radamés Casseb, o CEO da Aegea, disse ao Brazil Journal.
A Copasa “é um ativo líquido, uma empresa que gera caixa, e que já é conhecida, do ponto de vista de risco. Já é coberta pelo mercado,” disse o CFO da Aegea, André Pires.
No mercado, a aposta é que a Copasa ainda pode atrair o apetite de grupos como a Sabesp, a Perfin, que já tem 12% na companhia, e investidores institucionais.
Se depender do desempenho passado, a Aegea será uma forte concorrente.
Desde 2019, o grupo venceu 19 dos 34 leilões de que participou, incluindo concessões, PPPs, e as privatizações da Cedae, no Rio de Janeiro, e da Corsan, no Rio Grande do Sul.
Nas disputas que ganhou, a Aegea calcula ter desembolsado uma outorga média per capita de R$ 918, contra R$ 1.693 de seus concorrentes.
“Dizem que somos agressivos, mas estamos pagando menos (que os rivais pelos ativos),” disse Pires.
No final de fevereiro, a Aegea venceu o primeiro leilão do setor do ano, para serviços de esgoto em Brusque; agora, avalia disputar as PPPs da Saneago, de Goiás, e da Cagepa, da Paraíba, agendadas para 25 e 31 de março.
A companhia também aguarda potenciais licitações ainda este ano no Ceará, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rondônia.
A premissa para entrar nos certames é não alterar a trajetória de gradual redução do nível de endividamento.
A alavancagem financeira da Aegea encerrou o terceiro tri em 3,7x, comparado a 4x no final de 2024. O pico foi 6,3x, em 2021, após a empresa arrematar os blocos 1 e 4 da Cedae com outorgas de mais de R$ 15 bilhões.
“Miramos hoje levar a alavancagem para em torno de 3x,” disse o CFO. “Seria o ideal para trabalhar, nesse mercado onde a taxa de juros é estruturalmente alta e deve continuar assim. Se for um ativo que vá exigir muito capital, temos que buscar alternativas para nos capitalizar para poder participar.”
Uma opção óbvia seria um IPO, que a companhia já confirmou estar em estudo, embora sem uma decisão sobre o timing.
Mas esta não é a única alternativa. No começo do ano, por exemplo, a Aegea levantou R$ 1,2 bilhão dos acionistas GIC e Itaúsa em transações privadas.
Com essa última capitalização, “a estrutura de capital está equacionada” por ora, e a companhia está se preparando para acessar o mercado quando achar adequado, disse o CFO.
O valuation atribuído à Aegea pelos sócios foi R$ 40,5 bilhões pre–money.
Quando a Itaúsa fez seu primeiro aporte na Aegea, em 2021, a empresa foi avaliada em R$ 13 bilhões.
“É um crescimento muito difícil de encontrar no Brasil nesses últimos anos,” disse Pires.Ele estimou que se a Aegea fosse listada por este valuation, ela seria a 27ª entre as companhias com maior valor de mercado da B3, e a sexta maior utility.
Para seguir gerando valor, além dos leilões, o grupo vê oportunidades de acelerar a receita de suas operações, ao entregar a universalização de serviços antes do prazo original.
“Temos dentro de casa um crescimento orgânico muito relevante. Mesmo se não ganharmos mais nenhum ativo a partir de hoje, ainda vamos crescer significativamente o EBITDA nos próximos dez anos,” disse o CFO.
À medida em que avança com a cobertura de serviços em suas operações, a Aegea também consegue capturar retornos maiores. Nas concessões maduras, de Guariroba e Prolagos, a margem EBITDA é de 79% e 77%, contra uma faixa de 35% a 65% no restante do portfólio.
A Aegea atende hoje 892 cidades e mais de 39 milhões de pessoas em 15 Estados, administrando cerca de 370 concessões e PPPs.
Só nos primeiros três trimestres de 2025, o capex somou R$ 6,3 bilhões, comparado a R$ 5,6 bilhões para todo o ano de 2024. E em 2020, havia sido de apenas R$ 522 milhões – mostrando como o Marco do Saneamento destravou investimentos no setor.
As consequências disto para os índices de saúde e qualidade de vida das pessoas estão na cabeça de Casseb – há mais de uma década na Aegea e desde 2020 como CEO – particularmente no caso do Rio de Janeiro.
“Eu sou meio suspeito, gosto de cada pequena conquista,” disse ele. “Mas é claro que falar da recuperação da Praia do Flamengo, que era deserta e agora está ocupada todo dia, e com os imóveis da região dobrando de valor, é um exemplo do que pode ser feito a respeito do saneamento no Brasil.”
The post Cheque grande na Copasa não assusta Aegea, mas CEO promete disciplina appeared first on Brazil Journal.


