Pesquisa com universitários nos EUA indica que o consumo elevado aumenta a ingestão calórica na ausência de fomePesquisa com universitários nos EUA indica que o consumo elevado aumenta a ingestão calórica na ausência de fome

Excesso de ultraprocessados afeta fome e saciedade em jovens

2026/03/07 21:00
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Uma dieta com excesso de produtos ultraprocessados pode fazer jovens comerem mais do que sentem vontade. É o que aponta um estudo publicado em novembro no periódico Obesity que analisou o impacto do grau de processamento dos alimentos sobre o consumo calórico e o comportamento alimentar em pessoas de 18 a 25 anos.

Participaram da pesquisa 27 homens e mulheres, todos com peso estável havia pelo menos 6 meses. Durante 2 semanas, os participantes foram divididos em 2 grupos: em 1 deles, 81% das calorias da dieta eram provenientes de ultraprocessados; o outro seguiu uma alimentação sem esse tipo de produto.

Em ambas as intervenções, as refeições foram planejadas para fornecer apenas as calorias necessárias à manutenção do peso. E os dois padrões alimentares foram equilibrados em 22 características nutricionais, incluindo macronutrientes, fibras, açúcar adicionado, densidade energética, vitaminas e minerais.

Para classificar os alimentos, os pesquisadores utilizaram o sistema Nova, desenvolvido por especialistas da USP (Universidade de São Paulo), que categoriza os itens conforme o nível de processamento. Nesse modelo, alimentos in natura ou minimamente processados incluem frutas frescas, leguminosas e iogurte natural; os processados englobam itens como queijos, vegetais enlatados e pães frescos; já os ultraprocessados são aqueles que passam por processamento industrial intenso e contêm altas doses de aditivos, sódio e açúcar, por exemplo, como refrigerantes, balas, salgadinhos e refeições prontas.

No estudo, os voluntários participaram também de um teste de consumo alimentar em um buffet de café da manhã, com opções contendo ou não ultraprocessados. Em jejum, eles recebiam uma bandeja com cerca de 1.800 calorias — aproximadamente 4 vezes o valor energético de 1 café da manhã padrão nos EUA— e tinham 30 minutos para comer o quanto desejassem.

Para avaliar a alimentação na ausência de fome, os participantes recebiam uma bandeja e tinham 15 minutos para provar cada item, avaliando seu grau de prazer e familiaridade. Em seguida, podiam optar por continuar comendo ou parar.

Os resultados mostram que os mais jovens consumiram mais calorias após o período com dieta rica em ultraprocessados e apresentaram maior tendência a comer mesmo sem fome. Para os autores, esse achado é relevante porque ajuda a isolar o efeito do grau de processamento dos alimentos sobre a ingestão energética, independentemente da composição nutricional da dieta.

A adolescência é uma fase importante para o amadurecimento cerebral, o que torna essa faixa etária mais vulnerável a transtornos. “O estudo reforça que o risco de obesidade em jovens vai além da quantidade de calorias e envolve o tipo de alimento consumido”, afirma a nutricionista Ana Paula Dorta de Freitas, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia. “Essa fase é uma janela crítica para a formação de hábitos alimentares, e investir em educação nutricional nesse período pode ter impacto duradouro na saúde ao longo da vida”, diz.

Os ultraprocessados tendem a ser altamente palatáveis e podem interferir nos mecanismos de fome e saciedade. Por isso, devem ser evitados. O ideal é sempre priorizar alimentos in natura, planejar refeições e prestar atenção aos sinais de fome e saciedade.


Com informações da Agência Einstein

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