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Morning Call: IPCA-15 pode reposicionar apostas sobre os juros

2026/02/27 20:16
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O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), interrompeu a sequência de ganhos nesta quinta-feira (26), encerrando o pregão em leve queda de 0,13%, sustentando-se acima dos 191 mil pontos (191.005,02 pontos) pela terceira sessão consecutiva.

Apesar do recuo no dia, o desempenho no mês segue robusto. Em fevereiro, o índice acumula alta superior a 5% e no ano, o avanço chega a 18,54%. De acordo com analistas, o principal motor dessa trajetória é o fluxo de capital estrangeiro.

Entre as blue chips, ações de maior peso no Ibovespa, o desempenho foi misto. A Petrobras registrou leve queda de 0,14% nos papéis ordinários, enquanto os preferenciais avançaram 0,1%. Já a Vale caiu 0,84%, devolvendo parte do ganho registrado na véspera.

No setor financeiro, o tom também foi de ajuste. Itaú Unibanco recuou 0,25% (PN) e Banco do Brasil caiu 1,09%(ON).

Entre as maiores altas do pregão estiveram Marcopolo, com avanço de 5,56%, seguido por Hapvida, que subiu 4,78%. Na ponta negativa, Rede D’Or recuou 4,53%, figurando entre as principais quedas do dia.

No câmbio, o dólar voltou a subir após cinco sessões seguidas de queda, encerrando o dia em alta de 0,27% ante o real, cotado a R$ 5,14, refletindo o ambiente de maior aversão ao risco no exterior e perdas entre moedas emergentes.

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No cenário internacional, esta sexta-feira (27) começa sob expectativa máxima sobre os dados de inflação. Com o Federal Reserve (Fed) em alerta diante da inflação persistente, o mercado acompanha a divulgação do índice de preços ao produtor (PPI) nos Estados Unidos. A projeção aponta desaceleração para 0,3% em janeiro, após 0,5% em dezembro.

Na comparação anual, a taxa também deve perder força, passando de 3% para 1,6%. O dado chega em um momento de mudança nas apostas para a política monetária americana. Investidores já precificam majoritariamente que o primeiro corte de juros ocorrerá apenas em julho, e não mais na reunião de junho.

No campo geopolítico, delegações do Irã e dos Estados Unidos encerraram mais uma rodada de negociações indiretas em Genebra sobre o programa nuclear iraniano, com mediação de Omã, enquanto Washington reforça sua presença militar no Oriente Médio.

O chanceler omanense, Badr Albusaidi, afirmou que houve “progresso significativo” nas conversas e que um novo encontro será realizado na próxima semana, após consultas nas respectivas capitais.

Segundo o Wall Street Journal, os Estados Unidos exigem o desmantelamento das instalações de Fordow, Natanz e Isfahan, além da entrega total do estoque de urânio enriquecido e a assinatura de um acordo permanente. Já do lado iraniano, conforme a Al Jazeera, a proposta descarta o fim definitivo do enriquecimento de urânio e a desmontagem das instalações, admitindo apenas uma suspensão temporária e limitada das atividades.

No Brasil, as atenções se voltam para o IPCA-15 de fevereiro, indicador considerado uma prévia da inflação oficial. O dado é acompanhado de perto pelo mercado de juros, sobretudo em um momento de forte valorização do real, que pode reforçar as apostas em um ritmo mais acelerado de cortes na Selic em março.

A mediana da pesquisa Broadcast projeta alta de 0,56% no mês, ante 0,2% em janeiro. As estimativas variam entre 0,39% e 0,69%. Em 12 meses, o índice pode desacelerar para 3,81%, depois de marcar 4,50% em janeiro, no teto da meta de inflação. Se confirmada, será a primeira leitura abaixo de 4% desde maio de 2024.

Economistas apontam que o reajuste anual das mensalidades escolares deve puxar a inflação para cima em fevereiro. Também pesam as pressões no grupo de Transportes, com impacto da gasolina, reajustes nas tarifas de ônibus e menor deflação das passagens aéreas.

No cenário político, a corrida presidencial de 2026 já começa a ganhar forma. Levantamento da Paraná Pesquisas mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flavio Bolsonaro tecnicamente empatados no primeiro turno, dentro da margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

No primeiro cenário, sem o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), Lula aparece com 39,6% das intenções de voto, enquanto Flavio soma 35,3%. Em um segundo cenário, sem o governador do Paraná, Ratinho Jr (PSD), Lula tem 40,5% e Flavio, 36,6%.

Em um eventual segundo turno, Flavio Bolsonaro surge numericamente à frente pela primeira vez: 44,4% contra 43,8% de Lula, também dentro da margem de erro.

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Manchetes desta manhã

  • Fictor fecha para resgate FIDC com patrimônio de R$ 270 milhões e propõe sua liquidação (Valor)
  • Bradesco consolida negócios de saúde e cria Bradsaúde, com receita de R$ 52 bi (Estadão)
  • Juízes do Trabalho receberam R$ 1 bilhão acima do teto em 2025 (Folha)
  • UE vai aplicar provisoriamente o acordo com o Mercosul, diz presidente da Comissão Europeia ( O Globo)

Mercado global

As Bolsas da Europa operam com desempenho misto nesta sexta-feira, parcialmente sustentado pela alta do setor de mineração, mas com tendência de fechar o 8º mês consecutivo de ganhos.

Em fevereiro, balanços acima do esperado de empresas como HSBC e Nestlé ajudaram a compensar as preocupações com a bolha de IA e com a nova tarifa global anunciada por Trump.

Na Ásia, a semana encerrou em alta na maioria das praças, com destaque para o novo recorde em Tóquio, apesar da forte queda das ações de tecnologia, na esteira dos mercados de Nova York.

Ainda no Japão, o CPI de Tóquio desacelerou em fevereiro, e dados recentes indicam possível revisão nos planos do Banco do Japão para alta de juros, cenário que favorece empresas voltadas ao mercado interno, em meio à expectativa de novos estímulos fiscais pelo governo.

O índice Kospi, da Coreia do Sul teve o pior desempenho (-1%), com Samsung e SK Hynix perdendo 0,9% e 2,6%, respectivamente, após máximas históricas.

Em Nova York, os índices futuros abriram em queda nesta sexta-feira (27), pressionados pela forte baixa no setor de tecnologia, liderada pela Nvidia, enquanto o mercado aguarda a divulgação de um novo relatório de inflação.

Confira os principais índices do mercado:

  • S&P 500 Futuro: -0,34%
  • FTSE 100: +0,35%
  • CAC 40: -0,22%
  • Nikkei 225: +0,16%
  • Hang Seng: +0,95%
  • Shanghai SE Comp: +0,39%
  • Ouro (abr): -0,06%, a US$ 5.191,4 por onça troy
  • Índice do dólar (DXY): +0,02%, aos 97,722 pontos
  • Bitcoin: -0,20% a US$ 67.351,10
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Commodities

  • Petróleo: registra forte alta nesta sexta-feira, após EUA e Irã marcarem uma nova rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano para a próxima semana, em Genebra. O mercado também acompanha a reunião da Opep+ prevista para domingo.
    O Brent/maio valoriza 1,89%, cotado a US$ 72,18 e o o WTI/abril avança 2,07%, a US$ 66,56
  • Minério de ferro: fechou em alta de 0,27% em Dalian, na China, cotado US$ 109,6.
    Apesar da incerteza sobre a sustentabilidade de avanços na oferta, siderúrgicas chinesas retomaram a produção e a recomposição de estoques após o Ano Novo Lunar, com expectativa de continuidade na recuperação da produção de gusa, apontam especialistas.

Cenário internacional

Nos EUA, o destaque da agenda é o índice de preços ao produtor (PPI) de janeiro, indicador relevante para calibrar as expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed).

O consenso projeta alta de 0,3% no mês, tanto no índice cheio quanto no núcleo, que exclui itens mais voláteis, sinalizando desaceleração em relação à leitura mais forte de dezembro.

Na Europa, a inflação também domina o noticiário econômico. Alemanha, França e Espanha divulgam seus índices de preços, enquanto Alemanha e França apresentam dados de desemprego.

No Reino Unido, saem os números do mercado imobiliário, adicionando mais peças ao quebra-cabeça da atividade no continente.

Cenário nacional monitora inflação pelo IPCA-15

No Brasil, a última semana de fevereiro se encerra com a divulgação do IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial.

O dado ganha peso adicional em meio às discussões sobre o ritmo de queda da Selic. Uma inflação mais comportada pode reforçar as apostas em cortes mais consistentes da taxa básica de juros nos próximos meses.

Além dos números de inflação, o Banco Central divulga as estatísticas fiscais de janeiro do setor público consolidado — que engloba governo federal, Estados, municípios e estatais.

No campo político, o tabuleiro para 2026 começa a se desenhar com mais nitidez. Às 19h, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participa do podcast Flow, após ter sido convencido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a disputar o governo de São Paulo contra a tentativa de reeleição de Tarcísio de Freitas.

Lula também deve se reunir com o senador Rodrigo Pacheco para avançar nos ajustes finais de sua possível candidatura ao governo de Minas Gerais.

Com a movimentação, o presidente busca estruturar palanques competitivos nos dois maiores colégios eleitorais do país, ampliando sua base política para o próximo ciclo eleitoral.

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Destaques do mercado corporativo

  • Vale: o conselho aprovou aumento de capital de R$ 500 milhões por capitalização de reserva, sem emissão de novas ações, além da incorporação das subsidiárias Baovale Mineração e CDA Logística.
  • Itaú Unibanco: aprovou pagamento de JCP de R$ 3,85 bilhões, equivalente a R$ 0,34888 por ação ON e PN; papéis ficam ex em 20 de março e o pagamento será realizado até 31 de agosto.
  • B3: teve lucro líquido de R$ 907,8 milhões no quarto trimestre de 2025, queda de 23% na comparação anual. A receita líquida avançou 10,6%, para R$ 2,951 bilhões, e o Ebitda recorrente cresceu 14,5%, para R$ 1,829 bilhão.
  • Raízen: a Cosan informou que não existem aprovações vinculantes relacionadas a eventual injeção de capital na companhia, esclarecendo especulações recentes do mercado.
  • Azul: a United Airlines elevou sua participação acionária para 8,7% do capital, ampliando o vínculo estratégico entre as companhias.
  • Klabin: propôs a incorporação da subsidiária Klabin Amazônia, com deliberação prevista em assembleia geral extraordinária em abril.

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