O mercado de criptomoedas enfrenta um dos períodos mais desafiadores de 2026, com o Bitcoin oscilando entre US$ 60 mil e US$ 71 mil, impulsionado por uma convergência de pressões geopolíticas, macroeconômicas e regulatórias que refletem a fragmentação da economia global.
Nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, o Bitcoin é negociado próximo a US$ 69 mil, acumulando uma queda de aproximadamente 50% desde sua máxima histórica em agosto de 2025. Nos últimos sete dias, a criptomoeda acumulou perdas superiores a 11%, refletindo liquidações de posições alavancadas e fuga generalizada de ativos de risco.
Apesar do cenário desafiador, dados do Mercado Bitcoin revelam um sinal contraintuitivo: há 5,6 vezes mais compradores do que vendedores, sugerindo que investidores brasileiros veem na queda uma oportunidade de acumulação.
Enquanto Bitcoin resiste, outras criptomoedas enfrentam quedas mais severas. O Ethereum está com dificuldades em manter-se acima dos US$ 2 mil, com queda de 14,94% nos últimos dias. Solana (-15,06%) e XRP (-19,68%) também registram perdas significativas.
Os ETFs de criptomoedas negociados na B3 acumulam três semanas consecutivas de queda, com perdas em 2026 de:
Um incidente grave ocorreu na exchange sul-coreana Bithumb em 6 de fevereiro, quando aproximadamente 620 mil bitcoins (cerca de R$ 223 bilhões) foram acidentalmente transferidos para usuários devido a um erro operacional. O problema foi recuperado em 99,7%, mas permanece sob investigação pelo Serviço de Supervisão Financeira da Coreia do Sul.
O incidente destaca vulnerabilidades críticas nas infraestruturas de negociação e pressiona reguladores a exigir melhorias operacionais até maio de 2026.
A volatilidade do mercado cripto não é isolada. A geopolítica global está dividida em blocos antagônicos: os EUA priorizam desregulação e inteligência artificial; China, Rússia e BRICS dominam recursos críticos como terras raras; enquanto emergentes como Brasil e México atuam como pontes multipolares.
Tensões EUA-Irã, eleições no Japão e a chamada “weaponization” do dólar levam investidores a buscar ativos seguros. O ouro ultrapassou US$ 5 mil por onça, com alta de 46% em seis meses, enquanto Bitcoin atua como ativo de risco com correlação de 0,85 com o ouro.
Países como China, Índia e Rússia acumulam ouro em ritmo acelerado em resposta à fragmentação geopolítica e ao risco cambial.
A inflação persistente nos EUA, a postura hawkish do Federal Reserve e a elevação de juros pelo Banco Central da Austrália (para 3,85%) aumentam a aversão ao risco global. O Banco Central Europeu enfrenta incerteza, com chances iguais de alta ou corte de juros.
Os fluxos para ETFs de Bitcoin e Ethereum refletem essa cautela. ETFs de BTC receberam entradas de US$ 350 milhões na sexta-feira anterior, enquanto ETFs de Ethereum registraram saídas de mais de US$ 20 milhões. Saídas de US$ 1 bilhão de ETFs de Bitcoin em janeiro e US$ 528 milhões em 2 de fevereiro agravam as quedas.
Apesar das pressões, há desenvolvimentos positivos. Os EUA avançam em desregulação via atos GENIUS e CLARITY sob o governo Trump, com aprovação de legislação para stablecoins. A Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados brasileira aprovou novas regras sobre stablecoins, sinalizando movimento regulatório construtivo.
No Brasil, a B3 lançou o primeiro Token RWA (Real World Asset) negociado em bolsa, marcando um avanço significativo na tokenização de ativos. Solana entrou em fórum de stablecoins no Brasil, e a Fundação Ethereum lançou painel de segurança em fevereiro de 2026.
MicroStrategy continua sua estratégia agressiva de acumulação, adquirindo 3.459 BTC por US$ 285,8 milhões, elevando holdings totais acima de 531 mil BTC. Em outra compra, adquiriu 1.142 BTC por US$ 90 milhões apesar de perdas não realizadas de US$ 5 bilhões, demonstrando confiança institucional de longo prazo.
Analistas apontam que US$ 60 mil é o principal nível de suporte para Bitcoin, enquanto uma quebra acima de US$ 75 mil pode sinalizar o fim da tendência de baixa. A 21Shares espera um movimento de preços menos volátil com correções mais moderadas ao longo de 2026, impulsionado pela adoção institucional.
O mercado cripto na América Latina está diante de oportunidades bilionárias, com destaque para o crescimento das stablecoins como tendência principal do ano. A adoção institucional continua crescendo, com 1,12 milhão de BTC em carteiras corporativas.
O mercado de criptomoedas em fevereiro de 2026 está em um ponto de inflexão crítico. Enquanto pressões geopolíticas, macroeconômicas e regulatórias criam volatilidade, sinais de acumulação institucional e desenvolvimentos regulatórios positivos sugerem que o mercado está precificando riscos de curto prazo.
Investidores devem monitorar atentamente dados econômicos, desenvolvimentos geopolíticos e mudanças regulatórias para determinar a direção futura do mercado. A próxima semana será crítica para definir se Bitcoin consegue romper a resistência em US$ 75 mil ou se testa novamente o suporte em US$ 60 mil.


