A reunião reservada em 22 de dezembro de 2025 entre os presidentes da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), e do Progressistas (PP), o senador Ciro Nogueira, serviu para desarmar possíveis bombas políticas dos 2 lados do espectro político agora em 2026, que é um ano eleitoral. O encontro reservado foi realizado na Granja do Torto, uma das residências oficiais da Presidência na capital federal.
No caso de Lula, do PT e das esquerdas, há um temor de que Comissões Parlamentares de Inquérito sejam instaladas de forma destrambelhada, sobretudo na Câmara, onde o ambiente é mais hostil ao Planalto. Há investigações em curso que podem mostrar conexões do governo com o Banco Master. A CPMI (Comissão parlamentar Mista de Inquérito) do INSS tem menções a um irmão e a um filho do presidente.
Do lado da direita e do Centrão em geral, há receio de que investigações políticas sejam empreendidas pela Polícia Federal e possam contaminar o ambiente de disputa nas urnas em vários Estados. Muitos integrantes do Centrão não querem confusão neste ano. O PL, maior partido de direita no Brasil, não participa desse acordo.
Ciro Nogueira tem grande ascendência sobre Hugo Motta. São amigos muito próximos. A conversa com Lula foi reservada. Só 3 pessoas estavam presentes –o presidente da República, Ciro e Motta. A decisão de promover o vazamento da realização do encontro foi do próprio petista, sem avisar os outros 2 interlocutores.
Durante o encontro, que foi no final da tarde e durou cerca de uma hora, a conversa foi amistosa. Foi quase um armistício, para haver alguns limites sobre como cada lado vai se comportar na disputa eleitoral de 2026.
Hoje, o PP forma uma federação com o União Brasil –a União Progressista. Os 2 partidos têm dificuldades para formar um consenso sobre quem poderia ser candidato a presidente e receber o apoio dessas siglas federadas. É que o Centrão tem mais deputados e senadores na região Nordeste, justamente um reduto petista e lulista.
A decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de indicar seu filho Flávio Bolsonaro (PL) como candidato ao Planalto tornou inviável o apoio de PP e União Brasil ao principal nome da direita. Essa estratégia era anterior ao encontro de Ciro Nogueira e Hugo Motta com Lula.
Por que isso importa
Porque o vazamento da reunião por Lula coloca em xeque o que foi acordado entre os 3.
O presidente da República praticou um ato de quebra de confiança. A operação de vazamento foi mal organizada. Permitiu a Ciro negar publicamente a reunião em um 1º momento, pois até a data do encontro foi divulgada de maneira errada (como tendo sido em 23 de dezembro de 2025, mas ela foi realizada de fato no dia 22). Ciro e Motta não comentaram e só resgistram a indiscrição de Lula. Se houver reação, será mais adiante.
A estratégia do petista de tentar semear uma cizânia na direita pode não ter o efeito desejado.
PP e União Brasil não apoiavam publicamente a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ciro havia dito mais de uma vez (em outubro e em dezembro de 2025) que o campo da direita só tinha duas alternativas: os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Ratinho Junior (PSD). Mas agora passou a dizer que o PP pode apoiar Flávio caso a campanha do senador seja evita pautas ideológicas.
O nome de Flávio dá sinais de que está se consolidando nas pesquisas eleitorais, mas nunca foi uma unanimidade na direita.
O cessar-fogo foi rompido. A ver qual será o impacto.


