Memória RAM Unsplash O avanço da inteligência artificial, que vem impulsionando produtividade, novas aplicações e inovações tecnológicas, também tem trazid Memória RAM Unsplash O avanço da inteligência artificial, que vem impulsionando produtividade, novas aplicações e inovações tecnológicas, também tem trazid

Saiba porque a memória RAM está em falta e como isso pode encarecer preços de laptops, celulares, carros...

2026/02/07 03:32
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Memória RAM — Foto: Unsplash Memória RAM — Foto: Unsplash

O avanço da inteligência artificial, que vem impulsionando produtividade, novas aplicações e inovações tecnológicas, também tem trazido efeitos colaterais. A rápida expansão da infraestrutura de IA está pressionando a oferta global de chips de memória e contribuindo para uma alta expressiva de preços.

Esses chips — principalmente a memória RAM, mas também memórias de armazenamento, como flash e SSD — são essenciais para quase todo dispositivo digital. E a produção é altamente concentrada: mais de 90% da memória do mundo vem de apenas três empresas: SK Hynix, Samsung e Micron.

Os preços de memória subiram 50% no último trimestre de 2025 e devem subir mais 40% a 50% até o fim do primeiro trimestre de 2026, segundo a Counterpoint Research, impulsionados principalmente por construtores de data centers, dispostos a pagar mais para garantir fornecimento.

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Como as empresas de IA estão absorvendo grande parte da oferta, os efeitos se espalham por vários setores, segundo o The Wall Street Journal. As consequências vão de atrasos na construção de data centers a preços mais altos para laptops, TVs e outros eletrônicos, além de possíveis gargalos na indústria automotiva.

“Acompanho o setor de memória há quase 20 anos, e desta vez é realmente diferente”, diz Avril Wu, vice-presidente sênior de pesquisa da TrendForce, de Taipei ao The Wall Street Journal. “É realmente o momento mais louco de todos.”

Até pouco tempo, analistas apontavam a disponibilidade de energia elétrica como principal gargalo para supercomputadores de IA. A escassez de memória mal aparecia no radar.

A memória da IA

Grande parte da pressão vem da chamada memória de alta largura de banda (HBM), usada em sistemas de IA. Esse tipo de chip é mais complexo, ocupa mais espaço nas fábricas e tem margens maiores — o que leva fabricantes a priorizá-lo.

O que estamos vendo é uma “realocação permanente” da capacidade dos fornecedores para empresas de IA — e para longe de outros dispositivos, dizem analistas da IDC.

Data centers, convencionais e de IA, vão consumir mais de 70% dos chips de memória de ponta produzidos em 2026, segundo a TrendForce.

Chips de memória costumam ter perfil discreto no setor de semicondutores, em comparação com CPUs e GPUs. Ainda assim, exigem tecnologia de ponta semelhante à que enriquece a Nvidia e sua parceira TSMC, em detrimento da antes poderosa Intel.

Cada centímetro quadrado dedicado a HBM é um a menos para outros tipos de memória. “Cada vez que produzimos um bit extra de HBM, perdemos três bits de DRAM convencional”, diz Sumit Sadana, diretor comercial da Micron.

A demanda da IA também é muito maior. Sistemas recentes da Nvidia podem usar até 288 GB de HBM por chip lógico, contra cerca de 8 GB em smartphones e 16 GB em laptops. Como a HBM é mais lucrativa, fabricantes de eletrônicos de consumo acabam disputando o que sobra.

Embora a forte valorização de preços deva continuar por enquanto, é difícil prever preços além de meados de 2027, diz Hwang, da Counterpoint Research. Ele estima que a memória pode passar de menos de 10% para até 30% do custo total de celulares e outros gadgets.

E, à medida que empresas de IA ocupam cada vez mais capacidade produtiva, a pergunta é quanto os demais terão de pagar por memória. “Não há limite”, diz Hwang.

Oferta não consegue acompanhar

Expandir a produção de memória não é simples. Fábricas de semicondutores levam anos e bilhões de dólares para serem construídas.

A Samsung chegou a desacelerar a construção de uma nova fábrica há dois anos, após uma queda global de demanda. Agora, corre para ampliar a capacidade. A SK Hynix afirmou já ter vendido toda sua produção de 2026 e anunciou novos investimentos.

A Micron, por sua vez, decidiu priorizar memórias de alto desempenho para IA e reduzir a produção de memória para PCs. A empresa iniciou a construção de uma mega fábrica de até US$ 100 bilhões em Nova York, mas a maior parte dessa capacidade só deve entrar em operação a partir de 2027–2028.

“Prevemos uma situação desafiadora para atender à demanda no futuro próximo”, diz Sadana.

Impactos e setores afetados

Analistas preveem que os preços de memória não devem se estabilizar por um ou dois anos. Isso não significa que Apple, Google, Nvidia, Amazon ou outras gigantes ficarão sem memória. Muitas compram com grande antecedência, garantindo preços e fornecimento. Mas novos projetos ambiciosos de data centers de IA podem ter de começar com menos memória e ser atualizados depois, diz Wu.

Nos eletrônicos de consumo, onde as margens já são apertadas, fabricantes menores tendem a repassar custos. A IDC revisou suas projeções e estima que, num cenário pessimista, as vendas globais de smartphones em 2026 podem cair 5% e as de PCs, quase 9%.

No setor de celulares, executivos já sinalizaram que as restrições de memória podem limitar a produção. E os reflexos disso já chegaram às empresas. As ações da Qualcomm, maior fabricante de processadores que rodam smartphones, e da Arm Holdings, Arm obtém grande parte de sua receita com royalties de tecnologia usada por esse setor, caíram acentuadamente depois que as empresas de semicondutores divulgaram seus resultados trimestrais, prejudicadas pelo receio de que a falta de chips de memória reduza o crescimento da indústria de eletrônicos, informou a Bloomberg.

“Em todo o setor, a escassez de memória e os aumentos de preços provavelmente vão definir a escala geral da indústria de celulares”, disse o CEO da Qualcomm, Cristiano Amon, a analistas em uma teleconferência. Segundo Amon, clientes chineses em particular afirmaram que vão produzir menos telefones do que o planejado por não conseguirem chips de memória suficientes.

Outras empresas também soaram o alarme sobre a escassez de memória. A taiwanesa MediaTek Inc. mencionou o tema em uma teleconferência nesta semana, classificando-o como uma situação “em evolução”. Já o CEO da Intel Corp., Lip-Bu Tan, afirmou que a escassez deve persistir por anos.

Fabricantes de eletrônica automotiva, equipamentos de telecom e outros componentes enfrentam outro problema: muitas vezes precisam de memórias mais antigas que estão saindo de linha. Se você fabrica esses componentes, “precisa pegar um avião e garantir sua cota com os fabricantes agora”, diz MS Hwang, da Counterpoint Research. “Eles já estão vendendo capacidade não só para 2026, mas também para 2027 e 2028.”

A situação é tão crítica que algumas empresas consideram comprar memória da chinesa CXMT, apesar do desconforto de legisladores dos EUA. Outros buscam chips usados, informou o The Wall Street Journal. A Caramon, que reaproveita memória de servidores desativados, viu suas vendas saltarem de cerca de US$ 500 mil por mês para quase US$ 900 mil em poucos meses.

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