O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli redistribuiu ao menos 2 casos relacionados ao inquérito do Banco Master para instâncias inferiores: a investigação contra o ex-presidente do Rioprevidência (Fundo Único de Previdência Social do Rio de Janeiro), Deivis Marcon Antunes e contra o investidor Nelson Tanure, alvo da 2ª fase da operação Compliance Zero.
O caso de Marcon foi remetido à Justiça do Rio de Janeiro e o de Tanure, para a Justiça Federal de São Paulo. As movimentações se deram em dezembro de 2025 e em janeiro de 2026. Os processos eram sigilosos no Supremo.
O magistrado já havia citado, publicamente, o encaminhamento de tais operações. Em nota publicada em 29 de janeiro, o magistrado escreveu: “Paralelamente à operação Compliance Zero, outras operações foram encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal, dentre as quais, uma realizada na cidade do Rio de Janeiro, que foi prontamente devolvida à primeira instância, e outra efetivada em São Paulo por determinação da Suprema Corte, trazida ao Supremo Tribunal Federal por iniciativa direta da Procuradoria-Geral da República”.
No mesmo comunicado, Toffoli afirmou que só iria avaliar a transferência do caso Master para a Justiça Federal quando for encerrada a investigação da Polícia Federal. Segundo o ministro, é necessária uma análise prévia pelo STF, sem o prejuízo de nulidades processuais “em razão da não observância do foro por prerrogativa de função ou de violação da ampla defesa e do devido processo legal”.
À época, parte da imprensa noticiou que o magistrado pretendia remeter o inquérito sobre o Banco Master para a 1ª Instância. Porém, o magistrado já encontrou indícios fortes de que há mais de uma autoridade com prerrogativa de foro envolvida. Também tem dito a interlocutores que como a defesa do Banco Central está sendo feita dentro dessa ação, é necessário manter tudo no STF.
Advogados do Banco Master, integrantes do Poder Executivo e do Poder Legislativo têm feito pressão contra Toffoli. Querem o ministro fora do caso. Também propagam na mídia que o magistrado só estaria esperando manifestações públicas de apoio –que já vieram de Edson Fachin e de Gilmar Mendes– para se sentir confortável e enviar tudo para a 1ª Instância. Essa interpretação tem sido feita por pessoas e jornalistas que não conversam com Toffoli.
O Poder360 ouviu de vários interlocutores do ministro que ele não demonstrou nesta semana a menor intenção de deixar a relatoria da investigação que imputa fraudes ao Banco Master –e que resultaram em um rombo de R$ 47,3 bilhões, o maior da história bancária brasileira. Toffoli tem afirmado de maneira resoluta que pretende que o caso resulte em medidas estruturantes para dar mais segurança ao mercado financeiro brasileiro.
O ministro acredita que o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários foram tímidos nas ações para conter as fraudes do Master. Não acredita que possa ter havido má-fé, mas pelo menos atitudes inadvertidas ou falta de estrutura regulatória. Toffoli vê fragilidade no sistema e entende que a investigação possa, ao final, ajudar a construir um arcabouço regulatório que seja mais sólido.
Toffoli também tem demonstrado irritação com a Polícia Federal. Acha que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, tem sido menos aplicado do que deveria em algumas ações.
Até agora, o principal argumento para o caso ter subido para o STF foi uma citação a um congressista –que só pode ser investigado pela Corte. Na operação Compliance Zero, que investiga o Master, foi encontrado pela Polícia Federal um envelope com o nome do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) em um endereço ligado a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
João Bacelar é um político experiente e está em seu 5º mandato. Ele afirma que a aparição de seu nome no envelope apreendido pela Compliance Zero se deve à sua participação num fundo destinado à construção de um empreendimento imobiliário em Trancoso, distrito de Porto Seguro (BA). O deputado diz que Daniel Vorcaro tinha demonstrado interesse em comprar parte desse projeto. Por essa razão, a documentação foi compartilhada.
Eis a íntegra da nota divulgada por Toffoli em 29 de janeiro:
“Nota do Gabinete do Ministro Dias Toffoli
Gabinete esclarece principais andamentos do caso Master no STF


