O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), classificou nesta 2ª feira (2.fev.2025) como institucional o encontro entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “O presidente recebeu vários presidentes de bancos, tanto quanto pedido para tratar de assuntos institucionais. (…) Um presidente que quer governar de forma democrática tem que estar aberto à sua agenda, ouvir representantes dos diversos segmentos”, disse a jornalistas.
Vorcaro esteve no Palácio do Planalto ao menos 4 vezes entre 2023 e 2024. Em um desses encontros, teria falado diretamente com o presidente sobre a possível venda da instituição.
Costa afirmou que a agenda presidencial inclui empresários, movimentos sociais e entidades de classe. “Se algum ator que representa algum segmento vier a cometer erros, isso não inviabiliza o presidente”, completou.
O ministro também afirmou que o governo não vai interferir na decisão do Congresso Nacional sobre a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master.
Ele disse que congressistas do PT, PCdoB e outros partidos da base estão assinando a proposta de CPI. “Não há nenhum posicionamento nosso contra, muito pelo contrário”, declarou a jornalistas.
Segundo ele, cabe aos parlamentares escolherem os mecanismos de apuração, enquanto o Executivo conduz investigações administrativas e policiais já em curso. “Não acho que cabe ao Executivo ficar opinando sobre a forma que o parlamento decidirá ou não e os caminhos que ele escolherá”, declarou.
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), também afirmou que Lula “recebe muita gente” e que encontros com donos de bancos e representantes do mercado financeiro fazem parte da natureza do cargo presidencial.
Segundo ela, não há problema no presidente ter recebido Vorcaro e que o governo agiu com “estrita técnica e legalidade” na apuração dos fatos relacionados ao caso Banco Master.
Na Câmara, o deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) protocolou um pedido para a instalação da CPI do Banco Master, com o apoio de 201 parlamentares.
O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) já reúne 257 assinaturas entre membros das 2 Casas, que incluem desde o senador Fabiano Contarato (PT-ES) ao líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN).
Apesar das assinaturas suficientes, o movimento é liderado pelo Centrão, que atua para postergar a CPI diante do risco de que uma investigação parlamentar exponha uma rede extensa de relações políticas mantidas por Daniel Vorcaro.
Entre os nomes mais citados com proximidade a Vorcaro estão o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, e Antônio Rueda, dirigente do União Brasil. Ambos teriam participado das articulações para viabilizar a tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), operação posteriormente vetada pelo Banco Central.
Sobre a atuação do BC no caso, Rui Costa evitou críticas. Ele disse não ter elementos para avaliar se a autarquia deveria ter agido antes.
Nas prioridades legislativas do governo está a tramitação da PEC da Segurança Pública. “A sociedade espera que o Congresso possa atualizar a legislação sobre segurança pública”, afirmou. Ele defendeu mais ferramentas para instâncias de investigação e prevenção.

