Cinco anos atrás, a GameStop se tornou a primeira das ‘meme stocks’ depois que sua ação subiu mais de 1.600% em 2021, com os investidores de varejo se juntando para inflar o preço do papel e causar um enorme ‘short squeeze’.
Agora, sentada numa pilha de dinheiro e valendo US$ 11 bi na Bolsa de Nova York, a empresa está planejando uma “grande” aquisição — e atraiu como cheerleader Michael Burry, o investidor que ganhou fama ao apostar contra o mercado imobiliário americano e foi retratado no filme ‘The Big Short’.
Desde seu high anabolizado em 2021, a ação já caiu 80%, mas o valor de mercado da empresa se acomodou num patamar bem mais alto do que antes — e a GameStop aproveitou esse valuation robusto para captar mais dinheiro no mercado.
Hoje a companhia tem US$ 9 bilhões em caixa e uma posição de caixa líquido de US$ 4,7 bilhões.
Numa entrevista ao The Wall Street Journal, Ryan Cohen, o CEO da GameStop e co-fundador da Chewy, a varejista de produtos pet, disse que a GameStop está analisando diversas companhias listadas nos setores de consumo e varejo, e deve fazer uma oferta “em breve.”
Segundo ele, qualquer transação será “grande”. “No fim das contas, isso vai acabar sendo genial ou totalmente, totalmente idiota,” disse Cohen.
Burry está apostando na primeira hipótese: montou uma posição na companhia recentemente e explicou a tese num post no Substrack.
“I believe in Ryan,” escreveu Burry. “Gosto do cenário, da governança e da estratégia. Estou disposto a manter este investimento no longo prazo e estou animado para ver aonde isso vai dar. Tenho 15 anos a mais do que ele, mas não sou velho demais para ser paciente.”
Em seu post, Burry chegou a comparar Cohen a Warren Buffett, dizendo que o CEO da GameStop pode fazer algo parecido ao que Buffett fez quando comprou uma empresa declinante – a Berkshire Hathaway, à época uma indústria têxtil – e a transformou num conglomerado que hoje vale mais de US$ 1 trilhão.
Cohen “tem um negócio ruim e está extraindo dele o máximo que pode, enquanto se aproveita do fenômeno das ‘meme stocks’ para levantar caixa e esperar a oportunidade de fazer uma grande aquisição de um negócio realmente em crescimento, uma verdadeira máquina de geração de caixa,” escreveu Burry.
O investidor também notou que a GameStop é um comprador ideal para muitos negócios por conta de seu prejuízo fiscal acumulado, que permitiria compensar os lucros futuros tributáveis.
Cohen disse ao WSJ que a comparação com a Berkshire coloca a barra muito alta – mas concordou que a tese é parecida: pegar um negócio sem grandes perspectivas de crescimento e usá-lo para investir em outras empresas com melhores perspectivas.
“Isso é a GameStop. Isso é definitivamente a GameStop,” disse ele.
Cohen — que depois de vender a Chewy para a PetSmart por US$ 3 bilhões se reinventou como um investidor ativista — começou a comprar ações da GameStop em 2020 e virou o chairman da companhia em junho de 2021, quando ela valia cerca de US$ 1 bilhão. Dois anos depois, foi nomeado CEO.
Em 2021, a companhia contratou diversos executivos que haviam saído da Amazon, pagando salários exorbitantes.
Cohen disse à Barron’s que essa estratégia foi um erro, e que agora a companhia está focada em contratar “underdogs” e pessoas que são “pobres, famintas e determinadas.”
“A GameStop já deveria estar falida, umas dez vezes,” disse Cohen. “Mas, se você olhar para onde o negócio está hoje, é muito diferente de onde ele estava cinco anos atrás.”
Até recentemente, Cohen não recebia salário como CEO. Agora, os acionistas da companhia estão prestes a votar um plano que dará uma remuneração bilionária ao executivo, sujeita ao cumprimento de metas ambiciosas sobre o preço da ação e o EBITDA.
Se o plano for aprovado, Cohen receberá opções para comprar até 171,5 milhões de ações da GameStop a US$ 20,66 por ação — caso a companhia atinja alguns milestones.
Parte das ações começarão a ser entregues se o valor de mercado da companhia chegar a US$ 20 bilhões e o EBITDA atingir US$ 2 bi. Para ele receber o montante total, a companhia precisaria valer US$ 100 bilhões — multiplicando por quase 10x — e ter um EBITDA de US$ 10 bi.
Na entrevista à Barron’s, Cohen disse que todos os diretores e gestores da empresa precisam ter “skin in the game.”
“Eu comprei ações com meu próprio dinheiro. Não estou administrando o dinheiro de mais ninguém,” disse ele. “Não tenho incentivos financeiros perversos, ao contrário da maioria dos conselhos de administração, gestores profissionais de recursos ou equipes de gestão. Tudo o que eu fizer está atrelado ao desempenho.”
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