Luis Stuhlberger, um dos gestores mais bem-sucedidos do país, acredita que a tendência de desvalorização do dólar deve continuar neste ano, sob impulso da agenda do presidente americano Donald Trump.
“Acredito que o Trump vai fazer o possível e o imaginável para o dólar se desvalorizar. Ele está conseguindo, e esse movimento ainda não acabou”, afirmou o experiente gestor durante painel no Latin America Investment Conference (LAIC), realizado pelo UBS BB nesta terça-feira (27), em São Paulo.
Stuhlberger disse enxergar o preço justo para o dólar a R$ 4,40. Atualmente a moeda é cotada a R$ 5,25, queda de 3,8% no ano. Ao longo do primeiro ano mandato de Trump, em 2025, o dólar acumulou desvalorização aproximada de 10%.
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Uma perspectiva de mudança pode vir com as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, que ocorrerão em novembro deste ano.
Caso seu partido perca o controle da Câmara ou do Senado, Trump pode ficar enfraquecido, o que, em tese, abriria espaço para uma revisão das políticas atuais. Mas nada é garantido.
“Será que os Estados Unidos vão voltar a ser o que eram após Trump? Essa tendência de desvalorização do dólar, de alta do ouro [vai acabar]?. É uma pergunta que ainda estou tentando entender”, disse.
Stuhlberger não recomenda uma mudança de alocação neste momento.
O fundo Verde, carro-chefe de sua gestora de mesmo nome, adquirida pela Vinci Compass no ano passado, aumentou opções de compra no real, além de continuar a carregar posição comprada em uma cesta de moedas contra o dólar e no ouro, segundo o último relatório de gestão, relativo a dezembro de 2025.
Em renda variável, o gestor acredita que a bolsa já “andou muito”, o que desencorajaria uma nova posição.
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O Ibovespa saltou 34% no acumulado de 2025 e já sobe 13,74% apenas em janeiro deste ano, impulsionado por um forte fluxo de capital estrangeiro, que está em busca de diversificação fora dos Estados Unidos.
“Ainda não se viu saída de capital de renda fixa e ações americanas. O que estamos vendo é um pouco menos de entrada [de capital nos EUA]. É um movimento que não se sabe onde vai parar”, afirmou.
Segundo o gestor, o investidor estrangeiro que tem entrado no Brasil se preocupa muito menos com questões eleitorais, o que inclui o cenário de continuidade do atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Stuhlberger, por outro lado, se disse mais pessimista do que o mercado quanto às perspectivas para um eventual quarto mandato do atual presidente.
Ainda assim, é cedo para fazer projeções, especialmente com Flávio Bolsonaro nas últimas pesquisas mais forte que o esperado em intenções de voto.
“Eu não mudaria minha alocação, não vou sair correndo para o Brasil. O país tem esse potencial imenso, e que, com um governo melhor, os ativos podem ainda se multiplicar”, disse.
O fundo Verde manteve sua exposição à bolsa local no balanço de dezembro.
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Allana Falconer já participou de 20 competições diferentes do Hyrox desde 2023 BBC News fonte BBCAllana Falconer já participou de 20 competições diferentes
