Labubu — Foto: Edward Berthelot/Getty Images
Uma organização internacional de defesa dos direitos trabalhistas afirma ter encontrado indícios de exploração de trabalhadores em uma fábrica chinesa responsável pela produção das bonecas Labubu, brinquedos que se tornaram um fenômeno global nos últimos anos.
Segundo relatório divulgado pela China Labor Watch (CLW), a investigação identificou práticas como jornadas excessivas de horas extras, exigência de assinatura de contratos em branco ou incompletos e ausência de férias remuneradas em uma unidade fornecedora da varejista chinesa Pop Mart.
As denúncias envolvem a Shunjia Toys Co Ltd, localizada na província de Guangdong, no sul da China. De acordo com a CLW, a fábrica é considerada uma “unidade central de produção” da Pop Mart e emprega mais de 4.500 trabalhadores. A organização afirma ter realizado 51 entrevistas presenciais com funcionários para apurar questões relacionadas a recrutamento, contratos e condições de trabalho.
Ainda segundo o relatório, não foram identificados casos de trabalho infantil, mas adolescentes de 16 anos estariam sendo submetidos às mesmas condições dos adultos, sem as proteções adicionais previstas na legislação chinesa para trabalhadores dessa faixa etária. A ONG também aponta falhas em treinamentos de segurança e ausência de medidas adequadas de proteção no ambiente industrial.
Procurada pela BBC, a Pop Mart, com sede em Pequim, informou que está investigando as alegações. Em nota, a empresa afirmou que aprecia os detalhes apresentados pela organização e que exigirá “de forma firme” a correção de práticas irregulares caso as denúncias sejam confirmadas. A varejista acrescentou que realiza auditorias regulares em seus fornecedores, incluindo avaliações independentes anuais conduzidas por inspetores reconhecidos internacionalmente.
A China Labor Watch defende que a Pop Mart adote medidas imediatas para corrigir os problemas apontados em sua cadeia de suprimentos, incluindo compensação financeira aos trabalhadores afetados e a adequação total das operações às leis trabalhistas chinesas e a padrões internacionais.
No relatório, a ONG destaca que fábricas desse tipo operam como fabricantes de equipamentos originais (OEM, na sigla em inglês), produzindo conforme preços e cronogramas definidos pelas marcas contratantes. — Como resultado, as condições de trabalho nesses locais são fortemente influenciadas pelas práticas de fornecimento das próprias empresas — afirma a organização.
As bonecas Labubu — criaturas fictícias de aparência semelhante à de elfos, com dentes serrilhados — são vendidas principalmente no formato de “caixas surpresa”, em que o consumidor só descobre o modelo adquirido após a abertura. A estratégia impulsionou a popularidade da marca e gerou longas filas em lojas ao redor do mundo.


